20 setembro, 2013

Lançamento Chegando - Desastre Iminente - Jamie Mcguire

Olá, pessoal!

Está chegando o dia tão esperado para os fãs de Travis - Cachorro louco - Maddox, nosso querido e amado Travis!
O dia do lançamento Nacional de Desastre Iminente.

Desastre Iminente é o novo livro da autora Jamie Mcguire, publicado pela editora Verus.
Este livro irá nos revelar a história de "Belo Desastre" e mais alguns segredinho de Travis contado na versão dele, do Travis.

Nos Estados Unidos o livro foi lançado em Abril/2013 e a previsão de lançamento aqui no Brasil é em 25/09.

A capa do livro ficou magnifica, adorei! E estou muito ansiosa para lê-lo.


Para amenizar a espera a Editora Verus nos ajudou divulgando o “Prologo”, que eu resolvi colocar aqui para vocês

Espero que gostem e se divirtam...


Prólogo

 Mesmo com o suor na testa e a respiração entrecortada, ela não parecia doente. Sua pele não tinha o brilho cor de pêssego com o qual eu estava acostumado, e seus olhos não tinham mais tanta luz, mas ela ainda era bonita. A mulher mais bonita que eu jamais veria. Sua mão caiu pesadamente da cama, e seu dedo se contorceu. Meu olhar trilhou suas frágeis unhas amareladas, subindo por seu fino braço, e seguiu até o ombro ossudo, por fim se assentando em seus olhos. Ela estava olhando para mim, as pálpebras como duas fendas, abertas apenas o suficiente para me mostrar que ela sabia que eu estava ali. Era isso que eu amava nela. Quando olhava para mim, ela realmente me via. Não olhava além de mim, pensando nas dezenas de afazeres que preencheriam seu dia, nem ficava indiferente às minhas histórias idiotas. Ela me ouvia, e isso a fazia feliz de verdade. Todas as outras pessoas parecia mas sentir sem ouvir, mas não ela. Ela, nunca.

— Travis — disse ela, com a voz rouca. Pigarreou, e os cantos de sua boca se viraram para cima.

 — Venha aqui, meu amor. Está tudo bem, vem cá.

Meu pai colocou alguns dedos na base do meu pescoço e me empurrou para frente, enquanto ouvia o que a enfermeira dizia. Ele a chamava de Becky. Ela tinha ido até nossa casa pela primeira vez alguns dias antes. Suas palavras eram suaves, e seus olhos eram até gentis, mas eu não gostava dela. Não conseguia explicar, mas o fato de Becky estar lá era assustador. Eu sabia que ela devia estar lá para ajudar, mas isso não era bom mesmo meu pai não tendo problema nenhum com ela.

Cutucada do meu pai me impulsionou vários passos para frente, perto o bastante para que minha mãe pudesse me tocar. Ela esticou os longos e elegantes dedos e roçou meu braço.

— Está tudo bem, Travis — sussurrou.

— A mamãe tem uma coisa para lhe dizer. Enfiei o dedo na boca e o empurrei em volta da gengiva, inquieto. Assentir fazia com que seu pequeno sorriso se alargasse, então me certifiquei de fazer grandes movimentos com a cabeça enquanto caminhava em sua direção. Ela usou o que restava de suas forças para se aproximar de mim, então inspirou.

— O que vou lhe pedir é muito difícil, filho. Mas sei que você com segue fazer isso, porque agora você é um garoto crescido. Concordei mais uma vez, espelhando o sorriso dela, mesmo sem a menor vontade. Sorrir quando ela aparentava estar tão cansada e desconfortável não parecia certo, mas ser valente a deixava feliz. Então, fui valente.

— Travis, eu preciso que você ouça o que vou dizer e, mais importante, preciso que você se lembre disso. Vai ser muito difícil. Venho tentando me lembrar de coisas de quando eu tinha três anos e... — A voz delafalhou, a dor intensa demais por um momento.— A dor está ficando intolerável, Diane?

— Becky perguntou, enfiando uma agulha no tubo intravenoso da minha mãe.

Depois de alguns instantes, ela relaxou. Inspirou fundo novamente e tentou falar mais uma vez

.— Você pode fazer isso pela mamãe? Pode tentar se lembrar do que vou dizer? Fiz que sim novamente com um movimento de cabeça, e ela ergueu uma das mãos para minha bochecha. Sua pele não estava muito quente, e ela só conseguiu manter a mão ali por uns poucos segundos, antes de começar a tremer e cair de volta no colchão.

— Em primeiro lugar, não tem problema ficar triste. Não tem problema ter sentimentos. Lembre-se disso. Em segundo lugar, seja criança por bastante tempo. Brinque muito, Travis. Faça coisas bobas — seus olhos se esquivaram —, e você e seus irmãos cuidem uns dos outros, seu pai também. Mesmo quando você crescer e sair de casa, é importante voltar. Tudo bem? Mexi a cabeça para cima e para baixo, desesperado para agradá-la.

— Um dia você vai se apaixonar, meu filho. Não se acomode com qualquer uma. Escolha a garota que não vem fácil, aquela pela qual você vai ter que lutar, e então nunca deixe de lutar por ela. Nunca... — ela respirou fundo — deixe de lutar por aquilo que deseja. E nunca... — ela retraiu as sobrancelhas — nunca se esqueça que a mamãe ama você. Mesmo que você não possa me ver. — Uma lágrima rolou por seu rosto. — Eu sempre, sempre vou te amar. Ela inspirou de maneira entrecortada e então começou a tossir

.— Ok — disse Becky, enfiando uma coisa engraçada nas orelhas. Ela colocou a outra ponta do aparelho no peito da minha mãe. — Hora de descansar.

— Não tenho tempo — minha mãe sussurrou.

Becky olhou para o meu pai.

— Estamos chegando perto, sr. Maddox. É melhor trazer o restante dos meninos para se despedirem.

Os lábios do meu pai formaram uma linha dura e ele balançou a cabeça em negativa.

— Não estou pronto — disse com a garganta quase travada.

— Você nunca vai estar pronto para perder sua esposa, Jim. Mas você não vai querer que ela vá embora sem que os meninos se despeçam.

Meu pai pensou por um minuto, limpou o nariz na manga da camisa e assentiu. Então saiu pisando duro, como se estivesse bravo. Fiquei observando minha mãe enquanto ela tentava respirar, vendo Becky verificar os números na caixinha ao lado dela. Toquei o pulso da minha mãe. Os olhos da enfermeira pareciam saber de algo que eu não sabia, e isso me fez sentir enjoo.

— Sabe, Travis — disse Becky, inclinando-se para me olhar nos olhos—, o remédio que estou dando à sua mãe vai fazer com que ela durma, mas, mesmo dormindo, ela ainda vai poder ouvir você. Você pode falar que a ama e que vai sentir falta dela, e ela vai ouvir tudo o que você disser.

Olhei para minha mãe e rapidamente balancei a cabeça.

— Não quero sentir falta dela.

Becky pôs a mão quente e macia no meu ombro, como a minha mãe costumava fazer quando eu estava chateado.

— Sua mãe quer ficar aqui com você. Ela gostaria muito disso. Mas Jesus quer que ela fique com ele agora. Franzi a testa.

— Eu preciso dela mais do que Jesus. Ela sorriu, depois beijou o topo dos meus cabelos. Meu pai bateu na porta e a abriu. Meus irmãos se amontoavam em volta dele no corredor, e Becky me conduziu pela mão para que eu me juntasse a eles. Trenton não tirou os olhos da cama da nossa mãe, e Taylor e Tyler olhavam para toda parte, menos para a cama. De certa forma, me senti melhor ao perceber que todos eles pareciam tão assustados quanto eu. Thomas ficou parado ao meu lado, um pouquinho na frente, como daquela vez em que me protegeu quando estávamos brincando no jardim da frente de casa e os garotos da vizinhança tentaram arrumar briga com o Tyler.

— Ela não parece bem — disse Thomas. Meu pai pigarreou.

— A mãe de vocês está muito doente faz um bom tempo, meninos, e está na hora de ela... está na hora de... — A voz dele falhou e ele não terminou a frase. Becky ofereceu um sorrisinho solidário.

— Já faz um tempinho que a mãe de vocês não come nem bebe nada. O corpo dela está desistindo. Isso vai ser muito difícil, mas é um bom momento para dizer a ela que vocês a amam, que vão sentir falta dela e que ela pode ir embora. Ela precisa saber que vai ficar tudo bem. Meus irmãos assentiram em uníssono. Todos eles... menos eu. Não ia ficar tudo bem. Eu não queria que ela fosse embora. Eu não me importava se Jesus a queria ou não. Ela era a minha mãe. Ele podia levar uma mãe velha embora. Uma que não tivesse garotinhos para cuidar. Tentei me lembrar de tudo que ela me dissera. Tentei grudar aquilo dentro daminha cabeça: Brincar. Visitar o papai. Lutar pelo que eu amo. Essa última parte me incomodou. Eu amava a minha mãe, mas não sabia como lutar por ela. Becky se inclinou e falou algo no ouvido do meu pai. Ele balançou a cabeça, em seguida fez um sinal para os meus irmãos.

— Muito bem, meninos. Vamos dizer adeus à sua mãe, depois você precisa colocar os seus irmãos para dormir, Thomas. Eles não precisam ficar aqui para o restante.

— Sim, senhor — disse Thomas. Eu sabia que ele estava fingindo uma expressão corajosa. Os olhos dele estavam tão tristes quanto os meus. Thomas conversou com a nossa mãe por um tempinho, depois Taylor e Tyler sussurraram coisas nos ouvidos dela, cada um de um lado. Trent chorou e a abraçou por um bom tempo. Todo mundo disse a ela que estava tudo bem, que ela podia nos deixar. Todo mundo menos eu. Dessa vez, ela não respondeu nada. Thomas me puxou pela mão, me conduzindo para fora do quarto. Fui andando de costas até chegarmos ao corredor. Tentei fingir que ela estava só indo dormir, mas minha cabeça estava zonza. Ele me pegou no colo e me carregou escada acima. Os pés dele se apressaram quando os soluços do nosso pai atravessaram as paredes.

— O que ela disse para você?

 — Thomas quis saber, abrindo a torneira da banheira. Eu não respondi. Ouvi a pergunta dele e me lembrei, como ela me dissera para fazer, mas minhas lágrimas não saíam e minha boca não abria. Thomas puxou por cima da cabeça minha camiseta suja de terra, tirou meu short e minha cueca do

Thomas e seus amigos e os jogou no chão.

— Hora de entrar na banheira, carinha. Ele me ergueu do chão e me colocou sentado na água morna, ensopando o pano e espremendo-o sobre a minha cabeça. Eu nem pisquei. Nem tentei tirar a água do rosto, embora eu odiasse aquilo.

— Ontem a mamãe me disse para cuidar de você e dos gêmeos, e do papai também.

— Thomas entrelaçou as mãos na beirada da banheira e descansou o queixo nelas, olhando para mim.

— Então é isso que eu vou fazer, tá bom, Trav? Vou tomar conta de vocês. Por isso, não se preocupe. Nós vamos sentir falta da mamãe juntos, mas não fique assustado. Vou garantir que tudo fique bem. Prometo.

Eu queria assentir ou abraçá-lo, mas nada funcionava. Embora eu de- vesse estar lutando por ela, eu estava lá em cima, em uma banheira cheia de água, imóvel como uma estátua. Eu já tinha começado a decepcioná-la. No fundo da minha mente, prometi a ela que faria todas as coisas que ela me pedira, assim que meu corpo voltasse a funcionar. Quando a tristeza fosse embora, eu sempre brincaria, e sempre lutaria. Arduamente.

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